sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Exercício sobre Canudos

Turma, o próximo exercício é o seguinte... Publiquem uma breve análise do documentário que assistimos e dos demais textos que discutimos em aula sobre a Guerra de Canudos. Reflitam em especial a partir de algumas questões que tratamos como a representação da guerra em diferentes suportes como o caso dos nossos exemplos. Analisamos a Guerra de Canudos representada nas notícias de jornal da época, na literatura com Os Sertões, no cinema de ficção e nos documentários. Também é importante pensar nas representações em temos diferentes. Na época do evento e contemporaneamente. O comentário é individual e será avaliado. O prazo é até a aula que vem.

Próxima aula:
Deixei três textos que valem para as duas próximas aulas. O principal é o Eric Hobsbawm. Os outros dois, de Phillip Knightley e de Walter Benjamin, são bons mas servem de complemento pelo volume de páginas que daria no final.

26 comentários:

  1. Podemos analisar o conflito em canudos como umas das grandes resistênciais existentes na história no que diz respeito a luta por ideais. Uma população miserável e mal armada conseguiu por três vezes derrotar tropas do governo e só foi cair na quarta expedição que foi armada com uma força excessiva para derrubar canudos. O conflito inaugura uma série de outros conflitos de mesmo caráter e ideologia que iriam abalar a então recente república brasileira.
    O maior nome da cobertura da guerra de canudos é sem duvida Euclides da Cunha que retrata com propriedade o conflito em sua obra "os sertões". Além desta obra existem documentários e filmes que relatam a história do conflito e seus desdobramentos.
    Canudos pode ser visto como uma das grandes guerras que marcaram a história brasileira.

    Paulo Roberto.

    ResponderExcluir
  2. Qual é seu e-mail professora? Estou sem receber os textos. Por favor, se puder enviar meu e-mail é:

    nath.topini@gmail.com

    Obrigada e até.

    ResponderExcluir
  3. Assistir ao documentário sobre a Guerra de Canudos foi esclarecedor, pois, mostrou uma outra ilustração sobre a guerra e seus personagens.Com imagens de um lugar marcado pela pobreza mesmo depois de tanto tempo do acontecimento do conflito, tivemos a oportunidade de ver o exato local, infelizmente coberto por as águas, e ter uma noção do que foi vivido por aquela gente que quis viver uma outra realidade. O que foi exposto sobre Euclides da Cunha demonstrou que um fato jornalístico pode sofrer alterações e interpretações como aconteceu com ele, divulgando um tipo de notícia e anos mais tarde escrevendo um livro colocando sua real visão sobre Canudos e o sertanejo.

    Vanessa Pollak.

    ResponderExcluir
  4. A Guerra de Canudos foi muitas vezes estudada levando-se em consideração o fanatismo religioso. Para entendê-la é preciso sim refletir sobre este tema mas não relacioná-la somente à questão religiosa como se os moradores de Canudos fossem somente fanáticos. Outros estudos partiram da obra de Euclides da Cunha o que também é problemático por ser uma literatura de ficção misturado com realidade. No Brasil é quase inexistente historiadores que se interessam por conflitos rurais.
    O movimento de Canudos foi derrotado com tanta violência não por defender a monarquia ou a república, eles ameaçavam os coronéis na região e passaram a dificultar a ação da política do coronelismo.
    O documentário foi muito válido no sentindo de tentar retratar como estas pessoas viviam. Como quase não há documentos escritos sobre a Guerra, só nos resta procurar estas fontes orais e ficar atento aos "problemas" da memória de quem sobreviveu.

    Paula Cresciulo

    ResponderExcluir
  5. Podemos verificar como os diferentes suportes de mídia retratam os acontecimentos do conflito que ocorreu entre 1986 e 1987 no interior do estado da Bahia, realizando uma breve análise comparativa entre os principais documentos analisados em sala de aula. Através do documentário podemos verificar os depoimentos daqueles que viveram indiretamente o conflito na cidade de Canudos, que se levanta contra os ideais Republicanos recém adotados pelo Estado brasileiro. Mesmo estes depoimentos terem sido submetidos à hierarquização da memória, que pode conservar certas informações de forma precisa em detrimento de outras que estariam mais fragmentadas, estes depoimentos são importantes na construção da historia pelo olhar dos vencidos que traz uma interpretação diferente do desenrolar dos fatos, se caracterizando também como uma visão alternativa a interpretação oficial, da República e dos vencedores. Estes depoimentos nos ajudam a compreender o dia-a-dia da população da cidade de Canudos, tanto sua gênese, o seu desenvolvimento e crescimento, sua relação com as cidades vizinhas e como estes homens comuns do sertão conseguiram resistir bravamente a três investidas do exército republicano brasileiro

    Esta visão se diferencia radicalmente dos discursos dos jornais da época que construíram em torno da cidade de Canudos o inimigo principal de todos os paradigmas de civilidade e desenvolvimento lançados pela recém-criada república. Para estes Canudos era símbolo do atraso que deveria ser expurgado assim como foi o regime Imperial. O homem do sertão de Canudos era retratado como animal e selvagem, modelado pelo meio que não teria mais espaço nesse novo modelo social e político que deveria ser desenvolvido no Brasil.

    Euclides da Cunha que em um primeiro momento também chega a Canudos como um jornalista do jornal "O Estado de São Paulo", enquanto desenvolve tal função suas matérias não possuem quaisquer críticas a empreitada contra a população de Canudos e o exercito brasileiro e ao governo, uma vez que estas reportagens passam pela censura militar. Porém em sua obra maior, "Os Sertões", o autor assume o seu silêncio e o remorso que tal escolha pode ter agido como cúmplice das atrocidades sofridas pela população de Canudos. Desta forma, podemos perceber como o relato da obra de Euclides da Cunha se apresenta não só com uma estilística erudita e literária, este também consegue retratar e descrever a terra pela qual o homem do sertão baiano esta submetida e a tragédia que foi a Guerra de Canudos, tentando superar a visão imediatista e elitizada das reportagens da época.

    Henrique Sá Amaral

    ResponderExcluir
  6. Acho interessante notarmos como os argumentos podem mudar de acordo com o veículo em que a informação vem inserida. Analisamos releituras historiograficas que contestam os dados estatísticos presentes tantos nos jornais de época quanto no livro de Euclídes da Cunha. Isso nos permite pensar sobre o discurso. Outra ponto argumentativo diferente foi percebido no documentário, onde diálogos são "reproduzidos" pelas pessoas, numa literal narrativa do que teriam sido os acontecimentos da Guerra de Canudos.
    Os relatos do documentário me fez sentir o evento como algo muito próximo no tempo, mas o cenário me demonstrava algo muito longe no espaço. Essa talvez tenha sido a característica mais marcante.
    A amplitude da guerra é diferente de acordo com perspectiva em que se observa, assim como a "crueldade" dos militares do exército parece ser relativizada pelo coronel que dá seu depoimento.
    Diante disso, mesmo num evento cujas consquências parecem ser claras para nós, é dificil mensurar a profundidade dos acontecimentos e a veracidade do dados postos como obejtivos e insetos de interpretação.

    Fabiana Ramos

    ResponderExcluir
  7. A discussão sobre a Guerra de Canudos na aula anterior foi bastante interessante porque trouxe-nos uma reflexão importante sobre alguns dos diferentes tipos de veículo pelos quais a Guerra de Canudos foi narrada: o jornalismo escrito, a literatura (a obra "Os Sertões") e o documentário.
    Antes da exibição do documentário "Paixão e Guerra no Sertão" discutimos sobre como a guerra foi narrada no jornal e na literatura por Euclides da Cunha. Enquanto jornalista do periódico "A Província de São Paulo", o autor destacou alguns aspectos que ajudaram a construir a idéia de que Canudos foi uma ameaça ao regime republicano recém instaurado. As impressões registradas por Euclides da Cunha como jornalista, segundo os debates realizados na aula, diminuíram o caráter resistente e vitorioso dos seguidores de Conselheiro na maioria das batalhas .
    No entanto, quando escreveu "Os Sertões" o mesmo autor destacou aspectos diferentes que valorizavam justamente o contrário. Com o livro os sertanejos de Canudos foram apresentados ao Brasil como corajosos, valentes e resistentes guerreiros.
    Num outro momento da aula, assistimos ao documentário "Paixão e Guerra no Sertão", lançado em 1993 por ocasião do aniversário de 100 anos da fundação do arraial de Canudos. O filme se concentra em apresentar relatos de descendentes de pessoas que viveram a Guerra de Canudos. Também é notável o destaque que é dado no documentário à biografia de Antônio Conselheiro, fundador do Arraial. Diversos aspectos de Canudos são discutidos: desde a vida no povoado até o desenrolar da Guerra. É possível observarmos no filme várias memórias em disputa sobre a Guerra e mesmo sobre Conselheiro. Está presente a fala do exército, através de um de seus representantes, que minimiza a violência da Guerra afirmando que a degola dos prisioneiros não foi tão praticada quanto se afirma. Há depoimentos de historiadores e também de moradores da região de Canudos que ouviram relatos da Guerra por toda sua vida, alguns inclusive, tiveram parentes que participaram diretamente dela.
    Enfim, a partir do que foi debatido em sala e do documentário assistido foi possível perceber que o mesmo evento pode ser narrado de maneiras diferentes dependendo do momento, das pessoas que narram e dos interesses em jogo. Acredito que as narrativas sobre um evento atuam no sentido de produzir e fortalecer uma determinada memória sobre ele. Essa memória construída existe em função das disputas de poder de certo momento histórico. Concluindo, a partir do documentário assistido podemos afirmar que cem anos depois de Canudos percebemos a importância de ouvir os sertanejos numa disputa pela memória desse conflito.

    ResponderExcluir
  8. Dentro da temática da Guerra de Canudos, vale relembrar algo que provavelmente poucos tiveram a oportunidade de ouvir. O professor Jorge Ferreira, na disciplina de Brasil III, comentou algo sobre o consentimento dos intelectuais para com a ação militar contra Canudos. Com o regime republicano buscando fincar bases para se firmar, intelectuais brasileiros eram levados pela propaganda governamental e pelo "brado nacionalista" a apoiar qualquer afronta ao novo sistema. Neste sentido, e conforme discutido em sala, Euclides da Cunha e a imprensa foram cruciais na formação de um pensamento adequado ao regime. O primeiro, involuntariamente, ao fornecer seus relatos. A segunda ao usar tais atestações da maneira que conviesse aos interesses supracitados.

    Contudo, anos depois, Euclides da Cunha lança o que seria sua real visão sobre o conflito e mostra o outro lado da moeda. Os intelectuais que antes apoiaram as expedições militares, perceberam, enfim, que apoiaram um massacre. O arrependimento é o sentimento da vez.

    Em outras palavras, é interessante destacar o poder do relato na formação da opinião pública já em fins do século XIX. O jornal e a obra literária - cada qual dotado de seu estilo próprio -, a partir do momento que contam com a figura do repórter e de um narrador que esteve presente no conflito, aumentam sua credibilidade. A utilização de ambos os meios para relatar os eventos de Canudos tornam o mesmo objeto de estudo e de curiosidade até hoje.

    Ricardo Poço Vianna

    ResponderExcluir
  9. Quero acrescentar que o documentário foi interessante pois podemos analisar a questão da memória da população que hoje vive no sertão baiano em relação ao conflito de Canudos. Os que estão ali obviamente não viveram os terrores dessa guerra, mas a tiveram construídas em sua memória os terrores da guerra através de pessoas mais velhas que conviveram, direta ou indiretamente, com a guerra. E o que acho interessante pois vejo que neste caso a imprensa não tem papel importante na construção da memória deste povo.

    Ricardo Luiz Jonard.

    ResponderExcluir
  10. Pensar em Canudos é pensar no interior de um Brasil em transformação no fim do século XIX. É pensar num interior regido pelo coronelismo, um interior hierarquizado no qual aquele, ou aqueles, que não se enquadrassem nesta hierarquização representavam uma ameaça.
    A partir desta breve contextualização é possível pensar nas formas de representação da formação do acampamento e do conflito com o Estado apresentados em sala. Primeiramente noticiado por um jornal sergipano em 1874, que identifica o povo como tacanho por ser seguidor de um líder fanático. Depois narrado de forma literária, que no fim engrandece a população de Canudos, identificando o sertanejo como a essência do povo brasileiro. Por fim a montagem de um documentário que exprime idéias por vezes divergentes.
    É a partir de uma breve reflexão do documentário que pretendo pensar um pouco sobre a representação, melhor as representações de Canudos. No documentário exibido em sala aparecem duas figuras cujo as idéias e reflexões são antagônicas. A primeira figura que me refiro é o depoente Honório Vilanova, um sobrevivente da guerra de Canudos e irmão de Antonio Vilanova, um dos principais líderes conselheristas. Assim ele descreve Canudos: “Grande era o Canudos do meu tempo. Quem tinha roça tratava de roça, na beira do rio. Quem tinha gado tratava do gado. Quem tinha mulher e filhos tratava da mulher e dos filhos. Quem gostava de rezar ia rezar. De tudo se tratava porque a nenhum pertencia e era de todos, pequenos e grandes, na regra ensinada pelo Peregrino.” (trecho retirado do depoimento recolhido pelo escritor Nertan Macedo, em 16 de março de 1962, em Assaré(CE), e publicado na íntegra no livro Memorial de Vilanova, 1964). Outro depoente é o escritor Edmundo Moniz, autor do livro A guerra social de Canudos (1978), que vem numa perspectiva de apresentar Canudos como precursor dos conflitos agrários no Brasil, esta versão da história também tende a classificar os conselheristas de fanáticos. Confrontando o discurso dos dois depoentes, percebe-se que há uma dissonância entre suas falas, se é verdade que Canudos representava uma alternativa de vida a situação de miséria que o interior estava submetido, deve-se desconfiar da idéia de que aqueles habitantes eram apenas um bando de fanáticos, afinal, segundo a fala de Vilanova, cada um tratava de seus interesses, e estes não eram obrigatoriamente interesses religiosos ou a luta pela distribuição da terra.
    Dentro de uma mesma fonte de representação, o documentário, aparece variadas representações de Canudos, o que nos leva a pensar que para além dos diferentes meios de comunicações que buscam dar conta de um evento: romances, jornal de época, documentários posteriores, etc, existe também a dimensão dos interlocutores destes meios, ou seja, um mesmo evento tem representações diversas através de relatos e diversos. E a interpretação que busca se aproximar do evento ocorrido não pode estar baseada em apenas uma forma de representação, como por muito tempo aconteceu, uma interpretação baseada somente, ou primordialmente, no texto literário de Euclides da Cunha, o que leva o objeto de estudo, o conflito de Canudos, a uma visão resumida, e por vezes insatisfatória. O que poderia ser solucionada não com a exclusão do estudo atento da obra dos Sertões, mas sim com a inclusão de outras fontes de representação que possa dialogar com a obra de Euclides.

    Carolina Maíra Gomes Morais

    ResponderExcluir
  11. Canudos é um caso impar na história do Brasil e do mundo,já que foi a busca da construção de uma nova organização social de cooperação que não foi fruto de revolução. Canudos era muito mais a tentativa de fuga da exploração e pobreza sofrida pelos pobres,do que uma opositora à República brasileira,sendo talvez esse motivo social, mais importante que o religioso e o politico,como motivo do guerra. Os poderosos latifundiários possivelmente se sentiram ameaçados ao presenciar o aumento crescente da população do arraial de Canudos,uma nova cidade que fugia às suas rédeas. Com certeza insere-se também a necessidade de uma republica recém instaurada de tentar afirmar seu poderio diante de qualquer suposto inimigo que lhe aparecesse.
    O documentário nos leva a pensar sobre a validade, os motivos políticos e interesses por trás das diversas versões quanto ao caso de Canudos. A versão,por exemplo, trazida pelos jornais da época e sustentada até hoje pelos representantes do exército , busca valorizar uma suposta ”periculosidade” de Canudos,como opositora à ordem religiosa e politica da Republica Brasileira,para assim se justificar e considerar como legitima e necessária a intervenção militar realizada. Essa política do medo,realizada pelos órgãos oficias do governo e da imprensa para justificar a guerra,teve muitos efeitos nas populações do sudeste,e desempenharam papel importante nas conquistas de apoio. Essa tentativa de manipulação da sociedade,através do medo é estratégia comum em governos de lugares e épocas diferentes ao longo da história(vide governo Bush e a politica do terror na Guerra do Iraque)
    A versão de Canudos defendida pelos militares tem como característica também a tentativa de atenuar(quando não negar)as crueldades infligidas pelo exercito ,como por exemplo a degola em série dos habitantes. Assim como também em relação a Guerra do Paraguai ,os militares tentam- ainda hoje- laurear acontecimentos que na verdade são “ páginas negras” da história nacional.
    Quanto aos registros orais colocados no documentário,podemos obter detalhes não atentados nos registros jornalísticos da época, e que possivelmente numa análise histórica tradicional de documentos também não teríamos acesso.
    Através destes registros orais,nos é disponibilizada uma memória,que se perpetuou através,das gerações que viveram direta ou indiretamente do inicio e fim de Canudos,sua organização social,e seu incrível poder de resistência durante a guerra .Por serem muito subjetivas e assim sujeitas à acréscimos e omissões(intencionais ou não) dos fatos por parte de seus narradores também não devem ser encaradas como verdades,mas sim como uma noção do que foi Canudos para os vencidos na guerra,e como se construiu imaginário que povoa a imaginação de seus descendentes. Fica evidente nestes registros o orgulho,com que seus narradores contam a historia de seus parentes,estabelecendo relação desses com Antônio Conselheiro ,de maneira a trata-los como heróis.
    Euclides da Cunha encontra-se inserido nesse contexto das diversas maneiras de abordar acontecimentos de guerra,a principio como jornalista de “O Estado de São Paulo” sendo obrigado a narrar de maneira deturpada a situação de Canudos,se adequando ao discurso esperado pelo governo e imprensa .Na tentativa de reparar seus erros ele escreve “Os Sertões”uma suposta visão verdadeira da guerra,mas que também se deve relativizar,já que por ser uma visão emotiva dos fatos, se entrelaçam a narrativa jornalistica e o romance.



    Vinícius Rodrigues de Oliveira

    ResponderExcluir
  12. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  13. O interessante do documentário sobre Canudos é que ele ressalta a importância da memória e da história oral, como metodologia que possibilita a criação de uma fonte através de depoimentos, na história do tempo presente. Nesse caso, os depoimentos dos descendentes daqueles que participaram da guerra, podem reconstruir o cenário do conflito que ocorreu a mais de cem anos, mostrando como essas informações são recriadas em sua lembranças e a relação entre memória coletiva e memória individual.

    Bruno da Cunha Ferreira

    ResponderExcluir
  14. Acho importante (e interessante) a disponibilidade de material para comparação dos discursos de guerra, como é o caso do conflito de Canudos no Brasil
    O fato de termos podido analisar a obra Os Sertões,recortes (e manchetes) de jornais de época e mesmo o documentário feito no final do śeculo XX (com discurso de especialistas, de estudiosos, de clérigos, ou mesmo de filhos de canudenses) de fato enriquece a discussão e o pensamento acerca do assunto.
    Em especial, este documentário trouxe discursos "novos", ou diferentes dos recorrentes, acerca do assunto, já que algumas das vozes eram,como já disse,canudenses e que, por isso, teriam uma relação mais sensível com o conflito. Um dos últimos a falar (um filho de um combatente em Canudos) chega mesmo a chorar ao se lembrar de um episódio vivido pela comuinidade e relatado por um membro da família.

    Outro ponto interessante são as apropriações feitas pelos agentes sociais do tempo presente, como um representante de liderança sindical que chega a afirmar que Canudos foi uma experiência socialista no país. Tendo em vista o momento histórico das décadas de 80 e 90 podemos compreender melhor esta frase, já que Antonio Conselheiro, apesar de acreditar numa sociedade mais igualitária, não fazia jus ao termo "socialista" ou "comunista".

    Raquel Pinheiro dos Santos

    ResponderExcluir
  15. Como já fora dito antes, Canudos foi um símbolo de resistencia na história do Brasil. E, ao analisarmos o documentário, percebemos a tentativa de resgate da memória de Canudos, que, em geral, é retratada apenas pela obra "Os Sertões" de Euclides da Cunha.
    Tal resgate promovido não só pelo documentário, que busca aspectos mais íntimos da resistência trazendo depoimentos de pessoas envolvidas indiretamente pela Guerra.
    Já o filme brasileiro "Guerra de Canudos"(1997) retrata mais os aspecto factual e romancista da guerra, assim como Euclides da Cunha em seu livro.

    Diante desses fatos, concluo que o resgate da memória da Guerra de Canudos está sendo feito para esclarecer o papel da resistência e torná-la mais acessivél para os brasileiros, seja através do filme, do documentário e da obra literária de Euclides da Cunha.

    João Henrique F. Leite

    ResponderExcluir
  16. Achei interessante a busca pela reconstrução da Guerra de Canudos a partir de fontes orais. Pois atraves delas podemos ter uma análise da memória de pessoas que subentende-se serem parentes de pessoas que participaram e viveram os conflitos de uma guerra peculiar.Achei interessante a análise, mas poderíamos ter explorado mais os cuidados que se devem ter com a construção da memória a partir dessas fontes.
    Outro aspecto interessante da aula foi a preocupação com uma história "de baixo", uma historiografia onde se visa também os vencidos e não somente os vencedores como até pouco tempo era estudado o conflito.
    Com isso, percebemos que deve-se levar em conta as novas construções sobre a história desse conflito que até hoje causa curiosidades culturais e sociais.

    Carolina Bezerra de Souza

    ResponderExcluir
  17. O documentário traz para a discussão e análise da guerra um outro enfoque. A utilização das fontes orais mostra o lado dos sertanejos, seus descendentes e que mensagem do conflito reside no local onde tudo aconteceu. Mesmo que os depoimentos não sejam completamente verídicos eles se prestam à análise de que registro permaneceu ao longo dos anos. Ainda se pode notar que a guerra de Canudos não é um dos temas principais sobre história na imprensa ou mesmo no ensino médio. Quando abordado há um certo destaque a Euclides da Cunha, seus relatos jornalísticos e seu romance “Os Sertões”.

    Clarissa Ramos.

    ResponderExcluir
  18. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  19. A maioria dos suportes que cobriram a guerra de Canudos confluíram para um único tipo de interpretação: a do governo republicano. O documentário apresentado em sala de aula, aponta para uma outra perspectiva. Utilizando-se sobretudo de história oral, a narrativa do filme nos mostra o lado sertanejo da guerra. Os relatos dos personagens – em grande parte idosos – glorificam a resistência de Canudos, a importância do líder do passado e denunciam as atrocidades cometidas pelo exército.

    ResponderExcluir
  20. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  21. Achei a discussão e o documentário sobre Canudos bastante interessantes. Em primeiro lugar ficou bem dimensionado o fato de a guerra exprimir e problematizar todo o ideário que se associava ao regime republicano naquela conjuntura. Como pudemos observar, a experiência de Canudos exprimiu e apoiou-se numa série de representações que já encontravam respaldo na “cultura popular nordestina”; as quais, de alguma forma, não deixavam de expressar relações políticas e culturais que se antagonizaram com a reprodução do sistema oligárquico, no interior da Bahia. Nesse sentido, o momento do conflito de Canudos não é arbitrário: é justamente no período de consolidação da República recém inaugurada, quando se buscava "estabilizar" o jogo político e se organizavam novas relações de domínio, que o conflito se generaliza. As representações associadas à República no período (progresso, civilização, entre outras) serão diretamente mobilizadas pelos diferentes segmentos contrários a existência do povoado, deslocando um conflito que era imediatamente político também para o plano do imaginário nacional.
    Achei interessante também o documentário buscar trabalhar diferentes fontes e interpretações sobre a guerra. Ao lado de opiniões de historiadores e cientistas políticos, pudemos observar diferentes registros jornalísticos da época (dos jornais conservadores que viam em Canudos uma “ameaça”, até o crítico Machado de Assis que viu no conflito o fracasso de inclusão social do regime republicano), bem como as entrevistas com pessoas envolvidas, de alguma forma, no conflito. Essa diversidade permite problematizar a relação entre suporte, narrativa e guerra, já que, através dessas variações, construíram-se visões significativamente diferentes do conflito.

    ResponderExcluir
  22. Considerando as diferentes formas de representação do conflito de Canudos verifica-se uma boa oportunidade para entendermos a retória utilizada por determinados veículos de informação. A construção da informação é intimamente vinculada as considerações do interlocutor sobre o tema, portanto sua retória atua no sentindo de convencimento do receptor da informação.
    Portanto ao levar em conta que o conflito de Canudos está situado em um período de consolidação da República no país o interesse de determinados grupos políticos torna-se evidente. Os jornais com sua circulação já consolidade na capital, até pela posição favorável a República tratam a comunidade de Canudos como uma experiência exótica, anacrônica, comparável a penúria social e a temeridade existente nas mazelas da capital.
    Contudo Euclides da Cunha que produziu tanto o viés do jornalismo hegemônico da capital, como também a releitura do acontecimento de Canudos possibilitou em seu livro "Os Sertões" (integrado à intelectualidade do início do Século XX) uma humanização dos habitantes da comunidade, como também um olhar menos pré-disposto sobre o tema. Euclides descreve o conflito, e os eventos ocorridos com um olhar próximo, permitindo que sua descrição servisse para uma melhor compreensão da comunidade.
    Essa análise sobre as reproduções em períodos contemporâneos ao conflito, tendo em vista o documentário em comemoração ao centenário permite também salientar como o tempo possibilita um trabalho mais profundo sobre o tema de outras épocas. Os estudos historiográficos sustentaram a retórica do filme, trazendo portanto uma experiência que passou por críticas da história já consolidada, dando portando a oportunidade de observar temas mais profundos, incluíndo uma abordagem específica sobre Antônio Conselheiro.


    Toni Endlich Leite

    ResponderExcluir
  23. O documentário apresentado pelo meu grupo foi bem interessante, pois como um debate de "comemoração" do centenário de Canudos, trouxe-nos à reflexões distintas do acontecimento que até hoje é tratado por alguns descuidados como "uma guerra de fanáticos", "monarquistas", "loucos", enquanto resgata a memória, utilizando fontes não convencionais - não foram levadas em consideração quando da historização do acontecimento.

    A utilização da história oral como metodologia permite uma via "alternativa" de interpretação dos fatos tratados até então. A partir do relatos de seus descendentes - moradores e participantes da guerra, confrontamos as informações "oficiais" com a reconstituição através das lembranças e memória individual.

    ResponderExcluir
  24. A guerra de Canudos foi um evento que deixou muitas marcas nos habitantes das futuras gerações do local. Muitos mesmo, descendentes de próprios moradores que na época lutaram no conflito. As visões dos entrevistados mostrados no documentário demostram a importância para os moradores atuais da resistência contrária ao poder republicano, muito suspeitada e criticada pela população brasileira no início desse período. Então compreende-se que foi uma iniciativa de resistência contra essa nova ordem, imposta pela elite intelectual, que o povo do campo não foi levada a compreender.
    É interessante notar a questão da mídia da época, sempre contrária a ocupação, mesmo o Euclides da Cunha, quando escrevia pelo jornal, a comunidade de Canudos aparecia como um atraso a sociedade, uma resistência monarquista, de causas estritamente religiosas e fanáticas, e, ao contrário, no seu livro literário "Os Sertões" o Euclides da Cunha escreveu muito mais os anseios da população, a problemática do sertão, as características locais, etc, às vezes, por uma própria censura dos jornais da época, ele não pode escrever o que realmente viu e sentiu.
    Para mim foi uma resistência a uma nova forma ordem e poder imposta por um grupo social e que pouco se importava com a população do campo. Acredito também que foi o resultado de uma longa problemática já há tempos existente da população rural seraneja: a seca e a pobreza.

    ResponderExcluir
  25. Através do filme assistido e do que foi debatido em sala de aula acerca dos correspondentes de guerra e das transformações dos relatos jornalísticos desde Canudos até os tempos atuais; acredito ser de grande relevância levantar discussões sobre as interseções entre os textos jornalísticos interpretativos e os literários. Acredito que seja necessário flexibilizar as fronteiras que separam os dois, sem contudo resumi-los a mesma tarefa. Penso que um texto jornalistico carrega consigo, intrinsicamente, uma convensão de veracidade, bem como os textos historiográficos. É preciso, contudo, que se perceba a imparcialidade e a parte narrativa que todo trabalho em questão traz de maneira inerente. Dessa forma, é preciso que se analise a obra de Euclides da Cunha em seu livro "Os sertões", feito depois de cobrir a guerra de Canudos para o Estadão, inserido nesse contexto, nessa tênue linha que separa o texto jornalístico da literatura. Seu livro junta fatos sólidos com a ficcionalidade originária da literatura. Euclides da Cunha portanto uniu a apuração e a investigação jornalísticas com a perspectiva subjetiva do texto literário.

    ResponderExcluir