segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O século: vista aérea – olhar panorâmico

Doze pessoas vêem o século XX (seis primeiros depoimentos)

Isaiah Berlin (filósofo, Grã-Bretanha): “Vivi a maior parte do século XX, devo acrescentar que não sofri provações pessoais. Lembro-o apenas como o século mais terrível da história”.

Julio Caro Baroja (antropólogo, Espanha): “Há uma contradição patente entre a experiência de nossa própria vida – infância, juventude e velhice passadas tranqüilamente e sem maiores aventuras – e os fatos do século XX... os terríveis acontecimentos por que passou a humanidade”.

Primo Levi (escritor, Itália): “Nós, que sobrevivemos aos Campos, não somos verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que outros sobreviventes escreveram – inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo. Os que tocaram, e que viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram sem palavras”.

René Dumont (agrônomo, ecologista, França): “Vejo-o apenas como um século de massacres e guerras”.

Rita Levi Montalcini (Prêmio Nobel, ciência, Itália): “Apesar de tudo, neste século houve revoluções para melhor [...] o surgimento do Quarto Estado e a emergência da mulher, após séculos de repressão”.

William Golding (Prêmio Nobel, escritor, Grã-Bretanha): “Não posso deixar de pensar que este foi o século mais violento da história humana”.

31 comentários:

  1. Eric Hobsbawn em "A Era dos Extremos: O Breve Século XX": "As maiores crueldades do nosso século foram as crueldades impessoais decididas à distância, de sistema e de rotinas, sobretudo quando podiam ser justificadas como lamentáveis necessidades operacionais." / "[...]ao contrário das aparências, o século XX mostrou que se pode governar contra todas as pessoas por algum tempo, contra algumas pessoas por todo o tempo, mas não contra todas as pessoas todo o tempo."

    São os trechos do livro que mais gosto para retratar as cruéis guerras do século XX.

    Carolina Rocha Silva

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  2. Certamente um século violento. Para mim,não saberia dizer se o mais violento/terrível da hitória.
    O mais retratado pelas mídias,sim,e talvez por isso o mais "espetacular".

    Raquel Pinheiro dos Santos

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  4. O século vinte entranhou-se nas pessoas talvez de uma forma que nenhum outro século havia entrado, de um modo geral. O século agitado e corrido. Um século que gerou medo.

    E, talvez, com os meios de comunicação ganhando cada vez mais ferramentas para também penetrar na sociedade, com consequente crescente "difusão do século", este tenha sido ainda mais relatado, ampliando este processo.

    Comparativamente ou não, mesmo com a maior divulgação dele mesmo, seus efeitos foram reais, e suas razões muitas vezes inaceitáveis.

    Talvez com este curso sejamos capazes de identificar até onde os diferentes tipos de narrativa influenciam na memória e na construção dos fatos, e possamos refletir melhor e identificar onde precisamos ser cautelosos, e onde certa atenção faltou ou sobrou (propositalmente ou não).

    Rafael Zacca Fernandes

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  5. Todas as guerras são cruéis. Sobram mortos, feridos, mutilados, traumatizados... No entanto as guerras do século XX ganham em questão de opinião publica pois foram amplamente divulgadas. A impressa teve papel fundamental para que o sentimento de revolta e a sensação de estar vivenciando o conflito fosse mais palpável.

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  6. Não sei se as gueras do século XX foram as mais violentas. Existiram várias guerras ao longo do história em que a violência foi enorme, as do último século ganharam mais acompanhamento e divulgação dos meios de comunicação e isso pode ter contribuído para que se construísse a memória de século mais violento. As guerras no século XX foram muitas, de fato. Causaram grande número de mortos já que o avanço da tecnologia foi possível criar armas que matassem várias pessoas de uma vez. Quando os combates eram homem a homem, era mais complicado uma guerra matar milhões de pessoas.

    Paula Cresciulo de Almeida

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  7. Não consigo pensar como é possível julgar o século o qual se viveu como "pior" ou " mais terrível" quando não se conheceu nenhum outro, senão este. Evidentemente, é muito mais fácil criticar (para bem ou para mal) quando estamos inserido no contexto, como é o caso dos depoimentos supracitados. Imagino que a velocidade - tanto a das mudanças, quando a das informações - tenha sido crucial para tais julgamentos. Não pretendo defender o século como pacífico, muito pelo contrário. Questiono, contudo, se essa "terrível" época não trouxe inovações significativas para a vida dessas pessoas. Afinal, as guerras não são invenções do século XX. A grande difusão da propaganda utilizadas em proveito destas, e a rapidez com a qual se divulgam as notícias são as grandes inovações. É possível pensar, então, se é dentro dessa ótica da celeridade de informações que as guerras, às vezes, podem ser "aumentadas" em relação àquelas de outrora.

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  8. Na verdade, e "respondendo" o comentário da Amanda, acho que se podemos dizer que não conhecemos nenhum outro século, também não podemos esquecer que não conhecemos nenhum. Tudo que sabemos são os resquícios que ficam, seja da nossa memória, seja da memória alheia. Nesse sentido, um século vivido é perfeitamente comparável a outros, anteriores, não vividos. Será uma comparação tendenciosa, de uma maneira ou de outra, mas sempre o é.
    Quanto às guerras, certamente não foram uma invenção do século XX, mas nesse século elas ganharam uma atrocidade inigualável. Segundo Hobsbawm, antes do século XIX, as guerras não tinham uma magnitude próxima sequer à da Primeira Guerra, mundial. Além disso, a Primeira Guerra, “ao contrário das anteriores, tipicamente travadas em torno de objetivos específicos e limitados, tratava-se por metas ilimitadas” (Era dos Extremos, p. 37): era um “tudo ou nada”. Isso para não falar nos ataques surpresas, nos ataques a civis e em Hiroshima e Nagasaki.
    Por outro lado, concordo com a Amanda que classificar esse século como “pior” esquece toda a revolução que ele concebeu, seja ela tecnológica, ideológica, artística, de direitos etc. Os testemunhos em questão apenas apresentam uma posição, pessimista ou otimista, em relação ao século XX, o que costuma ser difícil de evitar sobre um objeto de estudo e, ainda mais, sobre um período que se viveu.
    De toda forma, acho que aí reside o que há de mais interessante para nós: as marcas que o século passado deixou naqueles que o viveram. Se parece haver uma concepção majoritária de “século terrível”, devemos tentar entender por que a balança pesa mais para esse lado.
    Ao menos para mim, como historiador, mais do que saber como realmente foi, interessa saber que marcas ficaram. E por que.
    Mas não sei, é só uma opinião!

    Ricardo Dutra

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  9. Na história da humanidade há vários capítulos sobre guerras, sofrimentos e perdas. No entanto, alguns momentos são mais enfatizados que outros. Me parece que o século XX se apresenta como uma época dura principalmente no que tange ao relacionamento com o outro, tendo no individualismo e nas ambições descabidas seu alicerce. A categorização como pior ou melhor século da história, seja pelas guerras ou pelas inovações benéficas para a sociedade, como os outros colegas também comentaram acima, é na minha opinião um "forçar demais a barra", pois imagino que, cada época possui uma representação própria para a sociedade que a vivenciou. A nível de exemplo, para os indivíduos que pereceram com as guerras da época moderna, aquele poderia ser o pior momento para se viver. Guardadas as devidas proporções, o que quero dizer é que hoje, com uma população de bilhões no planeta, as "táticas" de guerra são outras e por conta de seu nível, os eventos tomam grande vulto, principalmente pela ação da mídia, e acho que isso é um dos grandes motivos pelos quais determinamos que o século XX se enquadra como o mais cruel de toda a história. Não defendo as guerras de forma alguma, mas em relação a números absolutos várias outras épocas também foram capazes de gerar grandes perdas através dos métodos que possuiam, e por isso colocar o século XX como o pior - já que temos esse passado como herança, para mim é um tanto difícil.

    Nathalia Caride.

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  10. Mais um breve comentário (e também respondendo algumas coisas acima):

    Ricardo, Bartolomé de Las Casas também teria classificado seu século como "pior" diante do genocídio indígena que ele presenciou na América e lutou contra por toda a sua vida.
    Às vezes, as pessoas parecem confiar cegamente em Hobsbawm quando o assunto é o século XX (não me refiro a você, especificamente, mas aproveitei o seu exemplo de Era dos Extremos para comentar), porém, como diria um professor meu, essas "vacas sagradas" também tem de ser avacalhadas vez ou outra. Com base em que - ou quem - classificamos as guerras do século XX como guerras de "atrocidade inigualável"? Em Hobsbawm? Em Hitler? Nas bombas de Hiroshima e Nagasaki?

    Como eu disse antes, não quero defender a inexistência de atrocidades. Atrocidades terríveis, reconheço. Mas quero bater na mesma tecla (justamente por ser um exemplo mais próximo do meu objeto de estudo): e as guerras dos espanhóis contra os índios? A intolerância perante o outro? E a batalha incansável de Sepúlveda, por exemplo, e inúmeros outros intelectuais para justificar a escravidão e morte dos nativos americanos, alegando superioridade?


    O dia que mandarem uma bomba que exploda mais da metade do mundo sem razão aparente, aí sim, podemos falar de atrocidade inigualável. Mas enquanto isso, eu prefiro relativizar as coisas.

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  12. Respodendo a Amanda e reafirmando o que alguns colegas já disseram, a questão não é mais ou menos violência no século XX, violência e atrocidades temos desde sempre, a questão foi o efeito "espetacular" que as guerras desse século tiveram, como já disse uma amiga nossa por aqui. A projeção que tiveram entre os meios de comunicação, a divulgação em massa de tanta destruição, agravada pela tecnologia, e talvez uma certa banalização de tantas crueldades que agora envolviam todo o mundo com as grandes guerras mundiais. A guerra também não ocorria só no campo de batalha, estava na imprensa, nos computadores, nas reuniões de poucos decidindo por muitos, e afetavam não só os combatentes, mas todo o corpo social. Concordo com a colega quando diz que devemos desconfiar dos livros "consagrados", afinal temos um papel crítico, mas eles ainda têm muito a nos acrescentar.

    Carolina Rocha Silva

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  13. Vim comentar o texto e percebo que o mesmo encaminhou-se a uma discussão interessante.
    Exponho meu ponto de vista:
    Acho que não existiu um século mais ou menos terrível, a guerra é sempre terrível; a diferença entre elas está nas pessoas que elas afetam.
    A Segunda Grande Guerra foi tão terrível para os judeus quanto o massacre espanhol foi terrível para os índios.
    E assim aconteceu e acontece com toda e qualquer guerra.
    Nós, espectadores ou sobreviventes, não temos dimensão desse terror ...

    "OS QUE NÃO VIVERAM AQUELA EXPERIÊNCIA NUNCA SABERÃO O QUE ELA FOI; OS QUE A VIVERAM NUNCA O DIRÃO; REALMENTE NÃO, NÃO ATÉ O FUNDO. O PASSADO PERTENCE AOS MORTOS." E.Wiesel, "For some Measure of Humility", Sh'ma: A Journal of Jewish Responsibility, n.5, 31 oct. 1975, p.314


    Amanda Barreto.

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  14. Assim como não se deve comparar um século com outro como melhor ou pior, deve-se evitar comparações do tipo "é tudo igual mesmo".

    Acredito que cada século teve suas mazelas, suas questões insuportáveis para uns e justificadas para outros. Mas isto não exclui as suas particularidades, e podemos identificar, enquanto cientistas sociais, onde produziram-se efeitos mais violentos ou não (dentre outros), seja com base no número de mortos diretamente por guerra, seja no que levou a essa morte, ou como ela aconteceu.

    Não venho dizer que algumas mortes são mais aceitaveis que outras, longe de mim.

    Mas não há como negar que o século XX produziu mais mortes por ações diretas de violência física, além de ter produzido homens que se dedicaram a pesquisar, a usar a razão, para matar mais com menor custo. Creio que há muita diferença entre o problema de alteridade, do assimilacionismo, da vontade cristianizadora do século da conquista da América, com o problema das grandes guerras (para pegar apenas o exemplo que já deram) e suas disputas por mercados economicos ou por "limpeza" étnica, entre outros motivos variados. Não há um mais ou menos aceitável que outro, mas seus resultados foram variados, assim como forma variadas as suas motivações, assim como foram variados os meios que levaram aos efeitos. Não como pensar que fazem parte de uma mesma coisa, de um mesmo processo repetido através dos tempos e do espaço, como se não fossem fenomenos sociais/antropologicos resultantes de um mundo material que se modifica.

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  15. Os seis depoimentos comprovam o que vimos na última aula(26/08): o avanço da mídia na cobertura dos grandes conflitos ao longo do século XX. E pode-se dizer que isso foi fundamental para a formação do estigma do “século mais terrível da história”. Assim, como no caso dos dois primeiros depoimentos, ao salientarem que não presenciaram esses acontecimentos terríveis, mas construiram no seu imáginario a idéia do século mais violento de todos, graças ao avanço, a velocidade, e a quantidade de informações sobre os conflitos violentos desse século.

    Ricardo Luiz Jonard.

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  16. Acho que algumas pessoas podem ter me entendido mal (ou eu me expressei mal, não sei). Enfim, para esclarecer algumas das coisas que disse:

    Carolina, eu concordo com você, e, na verdade, foi exatamente sobre isso que falei na minha primeira postagem - sobre a projeção que estas guerras tiveram entre os meios de comunicação.

    Zacca, quando eu disse que nenhuma atrocidade é inigualável, eu não quis dizer que elas são todas iguais. Inclusive, disse que prefiro relativizar as coisas, e é justamente por isso! É claro que sei que as guerras são diferentes entre si, em nenhum momento disse o contrário. Só dei um exemplo para alertar para o fato de que classificar guerras em extremos como "pior" ou "melhor" é perigoso. A sua afirmação de que "o século XX produziu mais mortes por ações diretas de violência física" é completamente questionável. Por exemplo, o quanto você sabe sobre a Guerra do Peloponeso e o quanto você sabe sobre a Primeira Guerra Mundial?

    A Amanda Barreto tocou em um ponto interessantíssimo, ela disse: "Nós, espectadores ou sobreviventes, não temos dimensão desse terror". É exatamente aí que quero chegar. A imprensa nos passa essa falsa ideia de sabermos algo sobre a dimensão do terror, o que não acontecia anteriormente. Usando, mais uma vez, nosso velho exemplo: pesquise na internet e veja quantas reportagens, quantos filmes, quantos documentários, quantas revistas, etc, podemos encontrar sobre a Segunda Guerra Mundial, e depois veja quantas coisas você acha sobre o genocídio indígena ocorrido durante o século XVI. É exatamente esse bombardeio de informações que nos dá a falsa impressão de sabermos as proporções das guerras do século XX e acabamos caindo no erro de classificá-las como guerras de violência jamais vista antes. Sabemos mais sobre elas e estamos mais próximos, mas não significa que elas foram mais intensas que outras. Nenhuma guerra é igual.

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  17. Eu acho que um consenso em relação às guerras do século XX foi construído ao longo do debate no blog. Parece que há um entendimento uniforme de que as guerras do século XX ganharam maior proporção devido aos avanços tecnológicos (tanto no que diz respeito às armas como aos meios de comunicação).
    Sendo assim, como não fazemos parte dos belingerantes, fica difícil mensurar o sofrimento. Mesmo porque, não faz sentido pensar em sofrimento maior ou menor, uma vez que eles nunca são agradáveis.
    Assim, classificar guerras como mais ou menos violentas parece ser algo passível de discussão, mas de consenso pouco previsto. Além disso, cada um, de acordo com seu ponto de vista (e seus objetos de estudos) constrói uma concepção do que foi cada guerra. O debate é importante para enriquecer nossos argumentos, mas as opiniões devem ser consideradas e respeitadas.

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  18. Como não definir o século XIX como o "pior" e mais "terrível" de todos os séculos? Se lembrarmos das atrocidades cometidas ao longo das duas grandes guerras, bem como da famosa imagem de uma criança na frente de um canhão, um dos melhores registros, a meu ver, da Guerra do Vietnã, certamente definiremos dessa forma o século passado. No entanto, penso que tal definição é um tanto quanto simplista. Não podemos esquecer que o contexto era outro. Os meios de comunicação haviam alcançado um público maior, aumentando a repercussão dos conflitos. A imagem que cito acima é um exemplo de como a mídia pode nos comover e influenciar a opinião pública. No período inicial da Guerra do Vietña, os soldados americanos eram aclamados pelos seus compatriotas. Todavia, ao final da mesma, os soldados que retornaram ao seu país eram excluídos pelas mesmas pessoas que anteriormente os ovacionaram. Da mesma forma que os meios de comunicação, os instrumentos de guerra haviam sido inovados. No século XVI, por exemplo, não havia bomba atômica. Então, iremos classificar as guerras desse período como menos atrozes??

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  19. Caríssimos!

    Particularmente, creio que o Século XX foi sim o mais vilento da História. Neste, temos as duas Guerras Mundias! E, como disse Stuart Robson (historiador britânico especialista nas Guerras mundiais), uma guerra para ser considerada mundial, tem de envolver as principais potências e atores internacionais da época e que envolvem todos os recursos de um Estado o que é denominado de Guerra Total.

    Lembrando, que apenas a II Guerra consumiu mais de 60 milhoes de vidas, ou seja, imaginem as populações da Argentina, do Chile e do Uruguai totalmente dizimadas.

    Vale ressaltar que no século XX também tivemos a Descolonização da África e da Ásia, que gerou diversas guerras de independência. Sendo a angolana a mais terrível de todas. Começando em 1961 e terminando em 2002, já no Século XXI causando cerca de 700 mil mortos.

    As Guerras da Coréia (1950 - 1953),do Vietnã (1964 - 1973), Irã-Iraque (1980 - 1988)do Golfo (1990 - 1991)e, as guerras oriundas do fim da URSS também fazem parte dos estigas do século mais vilento da História.

    "Os homens aprenderam a voar como as aves, a nadar como os peixes; mas não aprenderam a viver como irmãos"

    João Henrique F. Leite

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  20. O século XX foi um seculo de muitas guerras, sem duvida alguma.
    Mas também o foram os séculos anteriores.

    Não estou aqui querendo relativizar o horror do holocausto, ou das armas químicas na 1ªGM, ou mesmo da covardia das guerras do Iraque e do Afeganistão.

    Mas os séculos anteriores também tiveram sua cota de horrores. Que falar da Noite de São Bartolomeu? Ou da perseguição aos cristãos-novos perpetrada pelas Inquisições Ibéricas?

    Talvez todo essa sensação de horror se deva ao fato de que essas guerras do século XX e do início do século XXI estejam mais "frescas" em nossa memória. Não só pela proximidade temporal como também pela grande quantidade de documentação.

    Apenas mais uma reflexão para a discussão.

    Isabelle Barros Nunes

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  21. errata - século XX ao invés de XIX

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  22. Considero bastante a análise do Eric Hobsbawm, a idéia de "Breve Século XX" é interessante.
    Essa passagem reforça essa idéia, o fato dos relatos serem de contemporâneos aos eventos reproduzem sentimentos que os personagens vivenciaram, logicamente isso ressalta todo esse período de guerras da história, evidenciando portanto toda a violência presente nos conflitos.
    A discussão sobre se foi o século mais violento em minha concepção não seria tão relevante quanto parece, perenemente a história passa por guerras, temos uma guerra na atualidade impessoal, ampla, entretanto a violência não pode ser contabilizada, qualquer guerra é contrária ao bem comum dos povos, e é apenas violência.
    Desse conturbado século XX retomo o maior questionamento das guerras,a ascensão dos movimentos pacifístas, a formulação dos direitos humanos, e as conquistas da desobediência civil.


    Toni Endlich Leite

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  23. As guerras do século XX, com o acompanhamento maior dos meio de comunicação, passaram a ser uma coisa palpável, não uma coisa que acontecia num país distante, do qual mal se sabia o nome e cultura, agora vivemos numa "aldeia global", as guerras a partir do século XX serão acompanhadas, chegando ao ponto de o telespectador acompanhar bombardeios, vivenciar diariamente o conflito.
    Segundo Hobsbaw as guerras vem mudando, e seu poder de extermínio vem aumentando com essas mudanças, passamos parra guerras de "tudo ou nada".
    A cobertura da mídia dos conflitos ao longo do século XX, nos levam a descrever este como o "século mais terrível da história",essa cobertura tão próxima e o crescimento tecnologico bélico levam ao telespectador ou leitor a ter essa impressão.

    Adriana Fátima Tinoco do Amaral

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  24. como muitos já falaram, a grande quantidade de informações propagadas e a rapidez com que tais informação são passadas - melhora que se dá ao longo do século XX -, possibilitou a difusão das notícias, o que contribui para idéia de que o século XX seria o mais terrível ou violento. A meu ver, é importante ver como se dá essa evolução nas coberturas jornalísticas e como isso vai influenciar o imaginário das pessoas.

    Bruno da Cunha Ferreira

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  25. Bom, muita coisa já foi comentada. Queria apenas acrescentar que a maior parte da discussão, não procurou dimensionar a relação extremamente problemática entre experiência, narrativa e guerra. Acredito que o que está em jogo na memória das guerras do século XX não é somente a “avaliação” que fazemos dela; interessa também a forma como neste “enquadramento” da memória, nos situamos em relação aos problemas de nosso próprio tempo. Essa questão está claramente colocada nos depoimentos destacados acima: Isaiah Berlin e Julio Carlo Baroja declaram a aparente contradição entre a existência de guerras violentas e a relativa “tranqüilidade” de suas próprias vidas; Primo Levi também faz uma observação interessante: se os que vivenciaram os conflitos não voltaram, “ou voltaram sem palavras”, sem a capacidade de exprimir e “digerir” tudo aquilo que presenciaram, foram exatamente aqueles que não os experimentaram de forma direta, que criaram um consenso em torno da violência do mesmo. Por isso o escritor declara, problematizando a sua própria experiência do século XX: “não somos verdadeiras testemunhas”.
    O que fica patente nestes depoimentos não é só o “grau” de violência associado às guerras do século XX; é também uma nova configuração assumida pela guerra nas formações sociais, configuração essa que tornou extremamente complexo debater sobre a relação entre experiência, narrativa e guerra. Esse debate tem sido feito no curso e, além disso, também foi objeto por parte de diversos autores; lembro, por exemplo, aqui, de Bauman em Modernidade e Holocausto, discutindo sobre a nova potencialidade e objetivação assumida pela guerra no contexto da modernidade.
    Certamente a imprensa teve um papel central na qualificação do século XX como “o mais terrível”. Mas essa caracterização, creio, está também está associada a mudanças gerais (culturais, políticas, sociais) que marcam até hoje nosso próprio tempo, que também deve ser problematizada. O que importa quando qualificamos o século XX como “o mais terrível” ou o “relativizamos”? Criticamos todo e qualquer tipo de violência ou somente a violência que associamos as guerras do século XX? Enfim, como damos conta da relação problemática aludida pelos depoimentos dos autores? Como a imprensa tem respondido a ela? Como certa vez afirmou Raymond Williams, devemos prestar atenção ao que associamos ao “sofrimento humano”, pois se por um lado muitas vezes condenamos determinados atos ou formas violentas de poder, por outro deixamos de perceber violências mais freqüentes e igualmente trágicas presentes no nosso próprio cotidiano.
    Enfim, as guerras ainda se fazem presentes em nosso próprio tempo, mesmo se “somos todos pacifistas”. E não somente guerras entre Estados, conflitos geopolíticos mais específicos, mas também, e com uma freqüência ainda maior, à nossa própria volta. Em relação à guerra do Iraque lembro que a professora destacou exatamente o problema dessa relação entre narrativa e guerra, quando comentou que ao invés da imprensa parar, discutir e problematizar alguns de seus pressupostos, caiu em um discurso generalizado que não deixava de lembrar um “bombardeio de informações”...

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  26. Bom, depois de ler todos esses comentarios e de já vim pensando sobre o papel da imprensa, acredito que essa qualificação de século mais terrivel vem da grande quantidade de informações e da rapidez com que elas chegavam. Apesar da Sugunda guerra parecer para muitos a pior até mesmo porque já havia evolução nas coberturas e na maneira de fazer reportagem, e isso influenciou muito na memória das pessoas. A Primeira guerra foi o divisor de águas, foi na primeira guerra que mudou a maneira de fazer guerra, as pessoas estavam mais perto da guerra e isso influenciou na vida cotidiana, começou a se usar aviões, submarinos, tanques... Não se pode comparar as guerras do sec XX com as anteriores até mesmo pelo grau de tecnologia que elas alcançaram, mas também não se pode julgar se foi melhor ou pior, pois assim analisamos dentro do nosso campo de conhecimento, de memória e etc. Temos que ver o que tal guerra foi dentro do momento historico em que ela esta inserida.

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  27. Não dá pra dizer que o século XX foi o mais cruel, mas dá pra afirmar que foi até então o mais acompanhado. A velocidade da informação em constante crescimento com surgimento de novas formas/recursos para a guerras, fizeram deste século uma sucessão quase sem pausa de batalhas e seus relatos, esses crescendo a cada guerra.

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  28. A forma como as pessoas enxergam o século XX pode ser das mais diferentes, uma vez que se por um lado o mundo viveu tragédias gigantescas é verdade também que as pessoas não a sentiram na mesma intensidade. A população acompanhou os acontecimentos através da imprensa de uma forma cada vez mais rápida, característica alias marcante nesse século a velocidade. Se esse foi o momento mais trágico da história da humanidade não dá para afirmar,mas certamente foi o mais documentado. Por isso, há um exercício de memória grande por parte da população e se aproveitando da documentação e também impulsionada pela mudança na mentalidade, todas as vezes que elas "revivem" através das lembranças os fatos, elas o enxergaram e enfatizaram coisas diferentes como uma das frases bem coloca.

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  29. Concordo com os colegas que argumentaram no sentido de afirmar que é difícil declarar o século XX como o mais violento por termos pouca informação a respeito de episódios precedentes. No século XX todos os acontecimentos conflituosos puderam ser mais difundidos a partir dos meios de comunicação e da produção de representações sobre esses conflitos que por sua vez tiveram uma difusão maior. No caso do genocídio indígena nas Américas, já utilizado como exemplo, não temos tantas informações e não pudemos acompanhar. Fica o questionamento também de porque é necessário eleger ou não esse século como o mais violento. Saberemos mais sobre em que direção estamos caminhando? O comportamento humano em situações que conduzem a violência é imprevisível. Por isso quando pensamos no holocausto, nas torturas das diversas ditaduras, nos processos de expurgo, entre outras coisas, ficamos tão surpresos e chocados. Infelizmente a capacidade humana para a violência é grande e é difícil saber se por algum motivo ela foi particularmente maior no último século. Temo que não.

    Laiz Monteiro Pessanha

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  30. O século XX, apesar de "breve", foi um século de grande derramamento de sangue, causando muito sofrimento às famílias dos soldados que estiveram envolvidos nos conflitos. Foi um século devastador, em todos os sentidos.

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